O sr. Vilanova dá noticia de conchas dos generos Pecten, Pectunculus, Helix, Melanopsis, Cyclostoma, Cardium, Bulimus, Conus e outras achadas nas cavernas de Parpalló na falda occidental de Monduber; de Avellanera, na falda septemtrional de Matamon, provincia de Valencia; da Roca em pequena distancia da cidade de Orihuela; attribuindo os vestigios das duas primeiras cavernas á epoca paleolithica e os da terceira á epoca mesolithica. Mas é possivel que os vestigios d’estas cavernas, bem como os de Argecilla, não tenham a antiguidade que se lhes attribuiu[58].

Na Cueva de la mujer, nas circumvisinhanças da Alhama de Granada, achou o sr. Mac Pherson um bracelete muito notavel, feito de uma concha ([fig. 47])[59]. Pelos fragmentos de louça encontrados n’esta caverna se prova serem os seus habitantes contemporaneos d’aquelles que ficaram sepultados em Albuñol, e dos outros que frequentavam a Pena e a Fonte da Ruptura em Setubal. Entretanto, não consta que se tenha até hoje achado na Peninsula outro bracelete similhante. Em França n’uma pedreira da estrada de Dijon a Auxonne appareceu em 1849 uma sepultura, e d’entro n’ella, juntamente com os ossos, um bracelete como o da Cueva de la mujer e dois anneis feitos tambem de conchas bivalvas e desgastadas no meio, ficando uma parte muito mais grossa que sería para formar saliencia pela parte de fóra do dedo. Acharam-se mais no mesmo logar outras conchas furadas que parece teriam sido de um collar.

Fig. 47

BRACELETE DE CONCHA DA CUEVA DE LA MUJER.

Ainda hoje os Neo-Caledonios usam braceletes de conchas, e rosarios feitos com as ultimas spiras de conchas pequenas que furam com paciencia e destreza, dignas de admiração. Nas costas da Africa certos negros fazem collares de conchinhas brancas da especie denominada Volvaria monilis[60].

NOTAS DE RODAPÉ:

[40] D. Juan Vilanova, Lo préhistorico en España. Anales de la sociedad española de Historia Natural, tomo I, cuarderno 2.º pag. 201 a 204.

[41] F. A. Pereira da Costa, Da existencia do homem em epocas remotas no valle do Tejo. Lisboa, 1865.

[42] Lubbock, L’homme prehistorique. Pariz 1876, pag. 77 e 624.