Parece que as betylas que os antigos traziam comsigo e consultavam como oraculos, fabricadas pelo céo, não seriam senão as ceraunias achadas na terra. Algumas vezes estas mesmas pedras substituiam a imagem de Jupiter; pois na fórma de machado adoravam os Carios aquelle que denominavam Labradæus. Sotaco e Plinio dizem que as ceraunias eram á maneira de machados (similes securibus). A maior parte dos auctores não fazem distincção entre as betylas e as ceraunias. Outros porém entendem que as primeiras seriam propriamente os machados e as segundas as pontas de frechas.
Um poeta da decadencia, Marbodeo, descreveu nos seguintes versos a origem, usos e virtudes das ceraunias ou pedras de raio:
Ventorum rabie cùm turbidus æstuat aër
Cùm tonat horrendum, cum fulminat igneus æther,
Nubibus illisis, cœlo cadit iste lapillus,
Cujus apud græcos exstat de fulmine nomen.
Illis quippe locis quos constat fulmine tactos
Iste lapis tantùm reperire posse putatur.
Unde cerauneos est græco nomine dictus,
Nam, quod nos fulmen, Græci dixere ceraunum,