Fig. 48
PEDRA BALOUÇANTE DE BOARIZA, NA PROVINCIA DE SANTANDER.
Na provincia de Santander ha outra pedra balouçante que inexactamente tem passado por dolmen.
Fig. 49
PEDRA BALOUÇANTE DE ABRA NA PROVINCIA DE SANTANDER.
Eis aqui a descripção que de tão notavel megalitho nos dá o sr. Amador de los Rios:
«Sobre este campo se ergue uma grande rocha granitica perpendicularmente cortada na altura de cinco a vinte pés, em toda a circumferencia, e rodeada de outras menores, desordenadamente amontoadas em estranhas situações, bem como as muitas que cobrem o terreno. Não assim a grande, que é quasi plana na face superior, formando já de per si um dolmen natural de uns trinta pés de diametro. Na extremidade meridional d’esta especie de mesa e dirigindo-se á parte de nordeste, se ergueu a segunda pedra com a fórma de um grande cubo ou silhar posto de esquina sobre quatro ou cinco pedras applicadas a um e outro lado, porém de modo que a superior, n’ellas suspensa, não toca immediatamente nenhum dos pontos da grande mesa inferior. Isto demonstra ali palpavelmente a mão do homem; e tanto que, estando uma das pedras que sustêem a superior na posição diagonal, para adaptar-se ao lado da mesma, acha-se pela sua parte appoiada por outra pedrinha que não tem mais de oito pollegadas de comprido e tres de grossura; isto não obstante não se póde arrancar do seu logar, por mais que por ella se puxe, e ninguem até o ousaria tentar com medo de se desaprumar o todo. A pedra superior tem vinte e dois pés de largura, dez de altura e vinte e cinco de circumferencia, cingida perpendicularmente pelo meio. Basta indicar taes dimensões para se conhecer que o seu peso deverá ser de milhares de arrobas.
«Pela mesa inferior póde-se andar commodamente, rodeando a de cima, excepto pela extremidade meridional em que estão ambas na mesma linha perpendicular. Junto a esta extremidade e da parte de sueste, as pedras pequenas que sustêem a superior, encaixadas á maneira de cunhas, servem de degraus para subir á mesma pedra, que, segundo já indicámos, fórma um espinhaço bastante agudo, posto não haver impossibilidade de qualquer se suster nos dois lados. Desde o meio do espinhaço corre por elle da parte de nordeste com alguma inclinação para o lado de sueste, uma fenda ou rego, chegando quasi até á ponta do pedregulho: e como por esta parte está bastante adelgaçado pela extremidade inferior, segue-se que uma ou mais pessoas poderiam collocar-se por debaixo d’elle, para receber o baptismo de sangue, se com effeito era esse e não outro o fim do sulco»[84].