Similhante á de Abra ha em França uma pedra balouçante, de fórma oblonga e equilibrada pelas suas duas extremidades ao mesmo tempo sobre dois pilares que servem de eixos. A pedra balouçante do cemiterio de Perros Guyrech, que pesa um milhão de libras, e mede quarenta pés de comprimento e vinte de largura, tem na sua superficie uma bacia com desaguadoiro, e parece ser o altar, onde se faziam os sacrificios pelos mortos, cujos tumulos a cercavam[85].

Estes factos bastarão para auctorisar a analogia entre a pedra balouçante de Abra e a de Perros Guyrech, e tambem para mostrar que as pedras que, por suas estranhas posições, prenderam a attenção do sr. Amador de los Rios, serão da mesma sorte os cippos funerarios de um cemiterio prehistorico.

Segundo uma informação do sr. Pereira Caldas, proximamente de certo sitio do monte da Polvoreira, sobranceiro á estrada de Guimarães a Vizella, onde se encontram duas galerias formadas de pedras verticaes, que o povo chama Furnas, está uma pedra oscillante a que se liga uma tradição popular de mouras encantadas[86].

Fig. 50

Fig. 51

DOLMEN DA LAIRINHA, NO ALEMTEJO.

Não passa de mera hypothese quanto se tem dito para definir as applicações das pedras balouçantes. Symbolos da divindade, emblemas do mundo suspenso no espaço, emblemas do livre arbitrio, meios de conhecer a culpabilidade dos accusados, tudo isto se julgou poderem ter sido estes singulares megalithos. Se é licito suppôr dos de Perros Guyrech e de Abra que seriam altares, onde se fizessem sacrificios pelos mortos enterrados á roda, nos outros faltam inteiramente os indicios que n’aquelles dois se têem encontrado.

O dolmen, formado por uma grande pedra achatada, posta horisontal ou obliquamente sobre outras pedras verticaes ou quasi verticaes, é o mais commum dos megalithos em Portugal. O sr. Pereira da Costa, depois de ter descripto trinta e nove na sua Memoria, impressa em 1868, chegou a colligir desenhos talvez de mais de cem que mandou lithographar para uma segunda Memoria, a qual infelizmente não chegou a entrar no prelo. Onde se encontram em maior numero é na provincia do Alemtejo, tambem a mais abundante de machados e outros instrumentos de pedra polida e de bronze.