Fig. 52

Fig. 53

DOLMEN DE VALLE DE MOURA.

O typo da anta da Lairinha é o da maior parte das de Portugal, com quanto se não reconheça facilmente n’algumas já meio derruidas. Entre aquellas que estão mais bem conservadas citaremos a do Outeiro das Vinhas, perto do Dejebe, sete kilometros a oriente de Evora, no Alemtejo; a do Crato na mesma provincia; e finalmente a de Ancora na provincia do Minho[87]. As modificações deste typo fundamental são pequenas. Tal é por exemplo na anta de Valle de Moura a grande espessura da mesa que lhe dá a apparencia de um cogumello.

Quem tiver a curiosidade de comparar os mais communs dos dolmens de Portugal com os da Andaluzia, achará que estes ultimos constam de pedras menos irregulares, maiores e mais aprumadas. Além d’isto os primeiros são, pela maior parte, circulares ou ovaes, os segundos quadrangulares e lageados com grandes pedras. É por tanto provavel que os dolmens da Andaluzia, menos imperfeitos que os de Portugal, sejam tambem menos antigos. Isto mesmo se prova pelos objectos de cobre que se encontram n’uns e faltam nos outros.

Na Galiza ha dolmens com as pedras inclinadas de fóra para dentro, como o da Lairinha, e trilithos, cujos esteios verticaes constam de duas pedras sotopostas, á maneira do menhir de Rocas[88]. Esta particularidade denota uma epoca menos antiga, em que se empregariam já cinzeis de metal. Os trilithos da Galiza têem sua similhança com os dolmens de Constantina em Argelia, nos quaes se encontram sepultados objectos de bronze e de ferro[89].

Nos dolmens da Andaluzia entrava-se por estreitas passagens, feitas de grandes pedras. Em alguns de Portugal subsistem ainda pedras, restos de similhantes passagens ou galerias de entrada. Eram á parte do oriente nos dolmens da Tisnada e do Pinheiro, a treze e dezeseis kilometros, pouco mais ou menos da cidade de Evora. Ambos foram erigidos sobre monticulos artificiaes. Não resta porém um só indicio de que fossem primitivamente cobertos de terra[90].

A Hespanha, proporcionalmente, não é tão rica de dolmens, como Portugal. Todavia sabe-se de muitos, sobre tudo na Andaluzia e na Extremadura, onde lhes chamam garitas. Já mencionámos os da Galiza; e é provavel que egualmente se encontrem nas terras litoraes do norte, onde existem outros megalithos. Nas provincias orientaes não são conhecidos. Lamentamos que se não tenham descripto e estampado os dolmens das provincias hespanholas, das quaes sómente se conhecem pelo livro de Gongora, uma parte dos da Andaluzia. Em Portugal, graças aos trabalhos de Mendonça de Pina e de Pereira da Costa, podemos fazer alguma idêa do numero, estructura e distribuição geographica d’estes monumentos.