[102] Ilustracion española y americana.
[103] 60 Alçado pela parte B do dolmen.—61 Secção do dolmen e parte do tumulo dado pelos pontos A a B da planta.—62 Planta do dolmen.
[104] Villa-Amil y Castro, Los castros y mamoas de Galicia, Museu español de antigüedades, tomo VII.
[105] Archivo Pittoresco, tomo V, pag. 84.
[106] Antonio de Oliveira Berardo, Noticias historicas de Vizeu. No Liberal. Vizeu 1857.
CAPITULO VII
PROBLEMAS
Difficuldade de interpretar os vestigios das construcções prehistoricas.—Hypotheses de Bonstetten e de Bertrand ácerca dos dolmens.—Factos em contrario.—Leis da distribuição geographica dos dolmens.—Os dolmens e as construcções pelasgicas.—Têem a mesma antiguidade.—Objectos achados nos dolmens de Hespanha e de Portugal.—Insignias de schisto.—Sua ornamentação similhante á de objectos prehistoricos da Scandinavia.—Para que seriam os dolmens.—Porque não ha vestigios de cinzel na maior parte dos da epoca do bronze.—Antiguidade da epoca do bronze e do periodo da pedra polida em que principiaram a erigir os dolmens.—Foram introduzidos por um povo navegador.—A navegação já era praticada no Atlantico durante a epoca da pedra polida.—A civilisação dos dolmens e a civilisação pelasgica.—Signaes esculpidos em dolmens e em rochas.—Duas epocas da civilisação dos dolmens.
É complexo o problema dos dolmens. Em que tempo e por quem e para que fim seriam erigidos? Taes são as tres perguntas ou questões fundamentaes, a que não responde por ora a archeologia senão com simples conjecturas. Para melhor se comprehenderem as difficuldades com que luctam os archeologos n’este ponto, imagine-se um futuro remotissimo, um tempo em que chegassem a desapparecer todos os vestigios da civilisação europêa, excepto os templos pagãos da Grecia e da Italia e os templos christãos de todas as partes do mundo, tambem já em grande parte mutilados. A hypothese, com ser inverosimil, não deixará por isso de servir ao nosso intento. Algum futuro sabio, depois de meditar profundamente em tantos e tão admiraveis vestigios, diria:
«Houve um povo notavel pelo costume de construir grandes edificios de pedra. Parece ter vindo do norte e progredido depois pela Europa central e meridional, erigindo por toda a parte edificios magestosos, provas evidentes da sua alta civilisação. Este povo, solicitado por grandes forças expansivas, não podia caber no continente europeu. As mesmas construcções grandiosas provam ter povoado extensas regiões da America septemtrional e da America meridional. Encontram-se tambem similhantes vestigios nas costas orientaes e occidentaes da Africa, no Meio-dia da Asia, etc. N’alguns dos grandes edificios da Europa têem desenterrado ossadas humanas; serviam portanto de cemiterios, e não de templos, como alguns pretendem. Em muitos acham-se as paredes exterior e interiormente ornadas com estatuas, que de certo representariam os mortos, cujas ossadas continham. N’outros, porém, ainda não foi possivel descobrir nem ossos nem estatuas. Todos os esforços têem sahido baldados. Provavelmente viajantes curiosos ou collectores de antigualhas os exploraram nos tempos passados para, em beneficio dos museus, os despojar d’essas reliquias de uma civilisação remota. Sabe-se, pelos craneos encontrados nas sepulturas, que o povo constructor pertencia á raça caucasica. Parecerá talvez inadmissivel que um povo n’uma epoca de pequena duração, como sería a dos grandes edificios de pedra, se dilataria assim por todo o mundo; mas por mais extraordinario que o facto seja, deveremos curvar-nos á evidencia dos descobrimentos archeologicos. Na epoca dos grandes edificios de pedra, a Europa, Asia, Africa, America e Oceania eram povoadas pelo mesmo povo de raça caucasica!»
Comtudo, entre os sabios do futuro algum haveria que, por se jactar de mais severo na critica, impugnasse uma d’estas conclusões, aceitando as outras. Esse tal argumentaria contra a direcção do caminho seguido pelo povo constructor, observando que, se os vestigios mais imperfeitos appareciam na Asia, era porque os architectos teriam por ahi começado, aperfeiçoando-se depois ao passo que se iriam dilatando pela Europa. Segundo esta ultima opinião, as obras mais antigas da architectura seriam portanto os templos das possessões asiaticas e africanas; depois seguir-se-hiam os templos de estylo romão e byzantino da Europa; depois os grandes templos ogivaes; depois os do renascimento; e por fim o Parthenon, o templo da Concordia e os outros restos grandiosos da architectura grega ou romana.