E como as aguas que se vão juntando
E juntas, e cantando, vão descendo,
Reuni o choro derramado, quando
Atravessardes esse valle horrendo.

E o atoleiro que se havia feito
No val, dantesco, pútrido, sombrio,
Mudar-se-ha no irrigante leito
Dum fertilisador e claro rio;

E o rio, andando, andando, hade alargar
—Com biliões de lagrimas vertidas—
Num infinito e luminoso mar
De novas e amplas e cantantes vidas!

Outubro de 1909.

INDICE

Prefacio
Dedicatoria
Luar de Janeiro
Sextilhas a um menino Jesus d'Evora
Ballada da Neve
Toada para as mães acalentarem os filhos
O nosso lar
O que o fogo poupou dum poemeto queimado
Melodia confidencial
O passeio de Santo Antonio
Um grão de incenso
A máscara
In promptum pastoral
Meditações sobre themas do Ecclesiastes
A canção das perdidas
Carta a um rapaz sentimental
Mãos frias coração quente
Noiva
De profundis clamavi ad te domine
Joanninha
Quando as andorinhas partiam
A parábola do pucaro d'agua

Acabado de imprimir aos trinta e um de dezembro de 1909 em Lisboa, na
Typographia do Commercio, Rua da Oliveira, 10, ao Carmo.