Fico olhando esses signaes
Da pobre gente que avança
E noto, por entre os mais,
Os traços miniaturais
Duns pézitos de creança…
E descalcinhos, doridos…
A neve deixa inda vel-os
Primeiro bem definidos,
—Depois em sulcos compridos,
Porque não podia erguel-os!…
Que quem já é peccador
Soffra tormentos, emfim!
Mas as creanças, Senhor,
Porque lhes daes tanta dôr?!…
Porque padecem assim?!…
E uma infinita tristeza
Uma funda turbação
Entra em mim, fica em mim prêsa.
Cae neve na natureza…
—E cae no meu coração.
TOADA PARA AS MÃES ACALENTAREM OS FILHOS
A Bertha Cayolla Gil Vianna, minha sobrinha
Oh Desgraça! vae-te embora,
Que esta linda criancinha
Andou no meu ventre e agora
Trago-a nos braços. É minha!…
Do berço, segue-me os passos;
Onde eu vou, seus olhos vão…
E quando a aperto nos braços
—Abraço o meu coração.
Quando o seu chôro receio,
Embalo-a, faço que acceite
A alegria do meu seio
Na brancura do meu leite…
E quando assim não descança,
Que tristezas me consomem!
—Mas antes chore em creança
Que depois, quando fôr homem…