Senhor Doutor

Não ha quem endoide as moças
Como os olhos d'um doutor.
(Cantiga coimbrã).

Houve na aldeia viva sensação
Ao regressar o filho do morgado,
Que fôra para Coimbra de calção
E vinha agora bacharel formado.

Vae longe, olé, bradava o vozeirão
Do abbade. É só fazel-o deputado.
E as moças entre si: Que rapagão!…
… Doutor, tão novo… Deus seja louvado…

Chegou a casa e n'esse mesmo dia,
Foi visitar radioso de alegria
A filha da velhota que o creou.

E visitou-a tanto e tantas vezes
Que quando decorreram nove mezes
—O morgado da aldeia… era avô.

Ritornello

(A ALBERTO REGO)

I

O seu cabello loiro
E o perturbante olhar
Dos grandes olhos pretos
Serão a chave d'oiro
Com que eu hei de fechar
Um livro de sonetos.