II

Posta a gravata branca
E de casaca preta,
N'uma attitude franca,
Sem venias d'etiqueta,
Ler-lhe-hei um dos sonetos
Fechado a chave d'oiro
Feito aos seus olhos pretos
E ao seu cabello loiro.

III

Á nobre cortezã
Ha de mover, por certo,
O extranho talisman
Do livro que lhe offerto.
Que p'ra inspirar amor
A uns taes olhos pretos
Não ha philtro melhor
Que um livro de sonetos…

Esboceto

(A PEREIRA BARATA)

Como uma semi-tinta de aguarella,
Côa-se a luz, dulcissima, velada
Atravez das persianas da janella,
Sobre a pequena sala alcatifada.

N'um cavallete, apenas debuxada,
A tons ceruleos, sobre larga tela,
Uma marina calma, socegada,
Com botes de pescar, vogando á vela.

Sobre a meza rodeada de cadeiras,
Destaca, entre revistas estrangeiras,
Um busto de mulher adolescente

E a brancura leitosa do teclado
Põe no piano, entreaberto, ao lado,
Um ar de monstro, arreganhando o dente.