Afastei-me de ti e já distante
Voltei-me para vêr-te inda uma vez
Com o presentimento lancinante
De que te não veria mais, talvez.
Tornei-me então da lividez d'um monge,
Quando vi alvejar nos dedos teus
Um lenço branco repelindo ao longe:
Adeus, adeus, adeus…
Lyrica chineza
I
Lembra-me a hastea comprida
Dos lyrios brancos em flôr,
A elegancia apetecida
Do seu corpo tentador.
II
Da sua côr singular
Dá uma ideia leve
A pallidez do luar,
Batendo um floco de neve.
III
Nem o breu, nem o carvão,
Nem a noite sem estrellas,
Têm a densa escuridão
Das suas tranças tão bellas.
IV
A sua bocca, a sorrir,
Quando mostra os alvos dentes,
Lembra perolas d'Ophir
Entre dois rubís fundentes.