Ao assenhorear-se d'ella sentiria sem duvida o embaraço de quem, para beber agua de um regato, n'uma sesta de verão, tivesse de usar um pesado calice do seculo XVII, todo de oiro, cravejado de pedras, tirado de um museu de artes decorativas……………….
Eça.
Almas irmãs da minha, a vós dedico e offerto
Este livro d'amor—meu coração aberto.
Folhas soltas ao ar na alegre revoada
De pombas a fugir no azul d'uma alvorada.
Com ellas vejo ir pela amplitude calma
Pedaços do meu sêr, pedaços da minh'alma:
É tudo o que eu cantei de idyllico e olorante,
Desde o ceruleo olhar da minha terna amante
Até á coma edeal da minha sancta mãe,
Alva como um lilaz, branca como a cecem.
Almas irmãs da minha, a vós dedico e offerto
Este livro d'amor—meu coração aberto.
Profissão de fé
Não vão pensar que a minha musa seja
Alguma apparição allucinante
De olhar azul e labios de cereja,
Diadema d'oiro e espada flammejante.
A musa protectora d'estes versos
Detesta a rima altiva dos pamphletos,
Educa-me em principios bem diversos:
—Lê-me Petrarcha, o mestre dos sonetos.
Não me ensina a cantar imprecações
Contra as torpes gangrenas mundanaes,
Inspira-me sómente estas canções
Que vos fallam d'amor—e nada mais.