Apostolo do Bello e da Bondade,
Ella anda a propagar por toda a parte,
Ás almas auroreaes da mocidade,
A nova religião chamada—Arte.

Consagra um culto fervoroso e santo
Aos sentimentos bons, ás coisas mansas.
Respeita a Dor nas lagrimas do pranto,
Adora a Paz nos risos das creanças.

Por alta noite, quando a evoco e chamo,
Segreda-me ao ouvido brandamente,
Qual brisa leve a prepassar n'um ramo:
Traduz em verso o que a tua alma sente.

Canta os sorrisos, canta as amarguras
Dos teus vinte e dois annos incompletos.
Faz d'elles um collar d'estrophes puras,
Faz d'elles um rosario de sonetos.

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Já vêem, pois, que a minha musa é calma:
E agora, se quizerem lêr sem pressa,
Verão que em cada estrophe vae impressa
Uma affecção diversa da minh'alma.

A minha mãe

As illusões semelham-se a um collar
De perolas alvissimas, de espuma.
Se o fio que as segura se quebrar,
Cahem no chão, dispersas, uma a uma.

Cahem no chão, dispersas, uma a uma,
Se o fio que as segura se quebrar;
Mas entre tantas sempre fica alguma,
Sempre alguma suspensa ha de ficar.

D'as minhas illusões, dos meus affectos,
Longo collar de amores predilectos,
Muitos rolaram já no pó tambem.