Ao intimo contacto d'esses beijos,
Erguia-se em volutas de serpente
A curva delicada, alvinitente,
Das tuas fórmas, tremulas de pejos.
Senti então, allucinado e mudo,
O élo dos teus braços de velludo
Cingir-me contra a carne feiticeira.
E sobre o veu de gaze delicado,
Murchavam na capella do noivado
Os albentes botões da laranjeira…
Serenata
(A UMA VIZINHA)
Vae serena, desmaiada,
Entornando luar no azul,
A lua, taça quebrada
Dos festins do rei de Thule.
As estrellas maceradas
São como beijos de luz,
Ou lagrimas condensadas
Do martyrio de Jesus.
Serena como uma prece,
Cariciosa como um ninho,
A via-lactea parece
Estrada feita de arminho.
Estrada feita de arminho
E flocos alvinitentes,
Que talvez seja o caminho
Para a morada dos crentes.
Curvam-se os lirios abertos,
Escutando o som da aragem,
E os rouxinoes dão concertos
Sob as folhas da ramagem.