A arvore, ao ser plantada definitivamente, deve ser desembaraçada de todos os seus ramos e folhas. De contrario ellas continuarão a executar as suas funcções com grave prejuizo para a vida da planta, porque as raizes não podendo desempenhar ainda as suas funcções, não poderão absorver do terreno os elementos necessarios para equilibrar as perdas produzidas pelo trabalho das folhas.
CAPITULO VI
Poda
Esta operação é indispensavel na arboricultura. Toda a arvore que não seja submettida a esta operação é muito irregular tanto no seu crescimento como na sua fórma; fructifica mal sendo os seus fructos mal conformados e a sua producção muito incerta.
Pelo contrario, podando as arvores nós obrigamol-as a tomar uma fórma mais regular que lhe permitta uma boa distribuição do calor e da luz para obtermos fructos bem creados e em maior quantidade.
Esta operação traz ainda como consequencia uma melhor distribuição da seiva e d'aqui o crescimento e a fructificação fazerem-se com mais regularidade.
As podas mirando ao duplo fim de dar á arvore a fórma mais conveniente e de lhes regular a producção, não podiam deixar de ser de duas cathegorias.
A primeira principia já no viveiro onde, como já disse, se esboça a copa da arvore.{45}
A arvore tirada do viveiro vem para o logar definitivo com quatro ramificações em cruz; assim é plantada e no anno seguinte emitte varios lançamentos pelos gommos existentes n'essas ramificações; no anno seguinte cortam-se todos os rebentos, á excepção de um em cada pernada, escolhendo o que se apresenta mais robusto e na posição mais levantada. No anno seguinte cortam-se-lhes as pontas acima de dous raminhos lateraes bem constituidos e supprimem-se todas as outras. Estes raminhos, desenvolvendo-se, constituem as ramificações secundarias.
Fica assim formado o esqueleto da arvore que se compõe de quatro ramificações principaes, tendo cada uma duas ramificações secundarias.