A regra quarta aconselha-nos a que tenhamos em conta a variedade da oliveira cultivada, porque algumas ha que tendem a elevar-se muito.
N'este caso o podador deve ter sempre em vista não contrariar muito o crescimento da planta com rebaixamentos exagerados.
Ao effectuarmos a poda devemos subtrahir-nos o mais possivel ao córte de troncos grossos. A grande superficie d'estes golpes daria origem á penetração da agua e ao ataque de muitas doenças. Quando se não possam evitar esses golpes haverá o cuidado de os cobrir com alcatrão ou outro inducto qualquer.
Em muitas partes, devido ao pessimo costume de se podarem as oliveiras com intervallos de 3, 4 e mais annos, vê-se o podador constrangido a cortar ramos grossos, o que, como acabo de dizer, acarreta graves prejuizos para a vida das arvores.{48}
Estes inconvenientes são ainda em algumas partes avolumados pela epocha pouco propria em que as podas se executam, que é quasi sempre a seguir á apanha do fructo.
A oliveira é uma arvore muito sensivel aos frios vigorosos e estes muito mais a prejudicam quando incidem sobre recentes golpes da poda.
Para evitar os inconvenientes, provenientes dos golpes de demasiada superficie e da sua exposição aos frios do inverno, convem, em primeiro logar, que a poda seja feita todos os annos e em segundo logar, que ella nunca seja feita antes da passagem dos frios, a não ser em sitios em que o vigor d'estes não é muito para receiar.
A melhor epocha parece ser o mez de fevereiro. Alguns auctores preferem a poda em março e abril, mas, no dizer de A. Aloi, a poda feita n'esta epocha predispõe a oliveira para adquirir mais doenças.
Comtudo esta epocha varia muito conforme o clima local. Em climas onde não são frequentes as geadas póde ella fazer-se logo a seguir á apanha do fructo, mas é isso prejudicial nos sitios onde as geadas são frequentes.
A poda feita na primavera parece-me ainda mais prejudicial do que a feita no inverno rigoroso, pelos grandes estravasamentos de seiva a que dá origem.