7.ª—Devemos evitar o mais possivel os córtes de ramos grossos.
Pela primeira regra se vê que nunca devemos tirar á arvore grande quantidade de raminhos, porque isso irá prejudicar muito a producção do anno seguinte.
O segundo principio diz-nos que a arvore deve ter sempre os seus ramos bem distribuidos e nunca deve estar demasiadamente carregada d'elles, por que a sua folhagem compacta impede que os raios solares penetrem bem por entre elles, ficando a formação do fructo limitada simplesmente aos pontos em que esses raios podem, sem obstaculo, exercer a sua influencia.
Um principio de physiologia vegetal, citado por Foëx, diz que a quantidade de seiva que passa n'um ramo é tanto maior quanto mais proximo elle estiver da vertical. Diz o mesmo auctor, n'um outro principio, que a vegetação de toda a planta ou ramo é complementar.
Estes dois principios vêm provar a segunda regra annunciada para a pratica da poda.
Effectivamente, se a vegetação d'uma planta ou ramo é complementar, isto é, se quanto maior fôr a vegetação d'essa planta ou ramo, menor será a sua producção em fructo, os ramos verticaes pela grande vegetação de que dispõem serão menos productivos do que os affastados d'aquella posição.{47}
Firmados n'esta terceira regra devemos destruir pela poda, os ramos verticaes de preferencia aos horisontaes ou pendentes.
Da quarta regra deprehende-se a necessidade de nunca deixar a arvore demasiadamente carregada de ramos fructiferos, a fim de que ella não tenha que alimentar, ao mesmo tempo, uma demasiada quantidade de fructos, o que lhe acarretaria um exgotamento de que ella levaria um ou mais annos a refazer-se. Mas que se não vá tomar á lettra o proverbio provençal—Fais mois pauvre et je te ferai riche—porque isso redundaria em grave prejuizo para a oliveira.
O que convem sempre é regular esta operação pelas condições do terreno, pela exposição e pela tendencia natural da planta, como aconselham as regras quinta e sexta.
N'um terreno rico e situado n'uma boa exposição deverá deixar-se a arvore mais carregada de ramos porque no terreno não escassearão substancias para os alimentar e a maturação dos fructos é mais certa. Pelo contrario, um terreno pobre exige uma poda mais energica.