Junto de mim abria os braços como se quizesse enlaçar-me. Falava-me n’uma voz dôce, mas longinqua e recondita... não sei como lh’o explique... Eu perguntava-lhe coisas, e ella respondia-me... (maior incredulidade de Evarista) A tia não acredita?
Evarista
Vae dizendo.
Electra
Nas Ursulinas tinha uma bella boneca, a que eu chamava tambem Lulu... Veja a tia que mysterio este!... Sempre que eu andava pela horta, ao cahir da tarde, só, levando ao colo a minha boneca—tão melancolica eu como ella—olhando muito para o ceu, era certa, segura, infallivel, a visão de minha mãe... primeiro entre as arvores, como enformada no ôco das folhagens; depois, desenhando-se de luz, e caminhando para mim, vagarosamente, por entre os troncos escuros...
Evarista
E em mais crescida, quando vivias em Hendaya... tambem?...
Electra
Nos primeiros tempos não... Então já eu brincava com bonecas vivas: os dois pequerruchinhos da minha prima Rosalia, menina e menino, que nunca se separavam de mim, e me adoravam, como eu a elles. De noite, na solidão do nosso quarto, com os meninos dormidinhos, como elles aqui... e eu aqui (indica o logar dos dois leitos parallelos) por entre as duas caminhas brancas a minha mãe passava, meiga, silenciosa, aeria, sem pisar o chão... E debruçava-se para mim...
Evarista