Tambem não. (Na occasião de Balbina sahir, a senhora dá-lhe a mantilha, que acaba de tirar, e o livro de missa)
Evarista
Não ha motivo, emquanto a mim, para nos affligirmos tanto...
Pantoja
Não é, como querem dizer, o meu orgulho; é n’um ponto mais delicado e mais profundo que eu me sinto ferido. Nega-se-me a consolação e a gloria de dirigir essa creatura e de a levar commigo pelo caminho do bem. E vejo com grande magoa que você, tão affecta aos meus principios, e que eu considerava uma fiel amiga e uma fervorosa alliada, me abandona na hora critica.
Evarista
Perdoe-me, D. Salvador. Eu não o abandono. Estavamos inteiramente de accordo, com relação a Electra, em guardal-a por algum tempo—nunca se tratou de a encerrar para sempre—em S. José da Penitencia, attendendo á disciplina e purificação d’aquella casa... Mas surge agora repentinamente esta inesperada veneta de Maximo, e eu não posso, realmente, não posso de modo nenhum recusar o meu consentimento... É uma loucura? será... Mas de Maximo, como homem de honrado e correcto procedimento, que tem que dizer?
Pantoja
Nada. (corrigindo-se) Isto é: alguma coisa poderia talvez... Mas, por agora, o que unicamente digo é que Electra não está preparada para o casamento, não tem aptidão para eleger marido... Não reprovo em absoluto que se case, quando seja com um homem cujas ideias a não pervertam... Mas este ponto é para mais tarde... O essencial n’este momento é que essa tenra creatura entre quanto antes no sagrado asylo, onde nos cumpre estudar, com o tacto mais subtil e mais carinhoso, a configuração do seu caracter, as suas predilecções, as suas tendencias, os seus affectos; e em vista do que observarmos, fundamentadamente e seguramente depois d’este prévio exame, resolveremos... (Altaneiro) Que ha que dizer a isto?—pergunto eu agora.
Evarista