Quero saber, n’este mesmo instante, que horrivel maquinação foi esta, urdida por si, contra essa menina, contra mim, contra nós ambos eternamente unidos pela effusão das nossas almas. Com que baba se envenenou aquella a quem eu posso e devo chamar desde já a minha legitima mulher? Que responde?

Pantoja

Nada.

Maximo

(acommette-o explodindo em colera) Pois por esse infame silencio, mascara impudente e abjecta de um egoismo tão grande que não cabe no mundo; por essa virtude não sei se falsa, se verdadeira, que da sombra desfere o raio que nos aniquilla; (agarra-o pela garganta e derriba-o no banco) por essa doçura que envenena, por essa suavidade que estrangula, Deus te confunda, homem grande ou miseravel reptil, aguia, serpente, ou o que sejas!

Pantoja

(recobrando alento) Que brutalidade! que infamia! que demencia!

Maximo

Bem sei. Estou doido... (Recompondo-se) E quem é que dispõe assim do poder diabolico de desvirtuar o meu caracter, arrastando-me a esta colera insensata, fazendo-me o estupido aggressor de um ente debil e mesquinho, incapaz de responder á força com a força?