Nem a provoco nem a temo. (Cada vez mais senhor de si) Tu maltratas-me. Eu perdôo-te.
Maximo
Que me perdôa a mim! (iracundo) Mas é para o homicidio que assim me empurra!
Pantoja
(com serena e fria gravidade, sem jactancia) Enfurece-te, grita, bate-me... Aqui me tens inabalavel e indifferente... Não ha força humana que me dobre nem poder nenhum da terra que me afaste do meu caminho. Injuria-me, fere-me, mata-me: não me defendo. O martyrio não me repugna. Póde a violencia destruir o meu pobre corpo, que nada vale. Mas o que está aqui (na sua mente) é indestructivel. Na minha vontade só um poder impera: o de Deus. E se a minha vontade se extinguir na morte, a ideia que sustento lhe sobreviverá, triumphante e eterna.
Maximo
Não póde ter ideias grandes quem não tem grandeza, nem piedade, nem ternura, nem compaixão.
Pantoja
O meu fim é mais alto que todos os raciocinios. Para elle me dirijo por qualquer caminho que se me depare.