Então, um rapaz novo, sem barba, muito magro e amarello, com o tronco osseo apertado no seu fraque velho muito coçado nos cotovelos e lusidio nas costas, pegou nas quatro corôas, que o jogador lhe deu por cima do hombro. Com passo ligeiro e leve, dirigiu-se ao taberneiro, que estava medindo quartilhos, e pediu-lhe n’uma voz urgente, perturbada, com inflexões nervosas:

—Tio Domingos... Estas croaças em covre!...

Collocou-lh’as sobre o mostrador humido de vinho.

O tio Domingos, com o seu ar de borrachão pantagruelico, perguntou-lhe usurariamente interessado:

—Então elles hoje... ein Marquinhos?!

Marcos, amanuense do governo civil, respondeu com muita pressa, contente, encolhendo-se em si mesmo, passando n’um frenesi, o seu dinheiro de uma mão para a outra, n’um estado de impaciencia quasi sensual:

—Sim, senhor, vão fazer... São aquelles dois de Braga, o Barroso e o outro que eu não sei como dianho se chama...

—Timotheo... O Timotheo da Carcova... Quem diabo não conhece o Timotheo?!

—Sim, senhor, um nome assim arrevezado, o Timotheo... Mas ande depressa, tio Domingos!—pediu com insistencia, com a sua voz aflautada, de um timbre choroso.—De-me esse troco que estão á espera! O Barroso não se volta, emquanto lhe não levarem covre!