Porém, o silencio do possuidor da bola continuou-se, e o pequeno julgando-o um signal desprezador do seu poder, pareceu-lhe provocante. Por isso o olhou com mais intimativa, e, para o castigar, como lhe faziam a elle proprio ás vezes, repetiu a concisa e habitual phrase de seu pae:
—Então vae lá para dentro.
Imaginou que ía ser obedecido. Para não haver delongas, nem evasivas, conservou-se n’uma attitude ameaçadora, com a bengala paternal no ar, agarrada pelo castão. Com voz mais alta e decisiva repetiu ao possuidor da bola:
—Não vaes? Arrumo-te.
Christovão Colombo não obedeceu. Oppunha a resistencia passiva de um ser inanimado. O pequeno Emilio vingou-se d’aquella immobilidade insoffrivel, atirando-lhe á cabeça com a bengala irreverente. A estatueta caíu no chão quebrando-se com estrondo em mil pedaços!... A cabeça, os braços, a bola, separaram-se! O pequeno facinora ficou a olhar para aquelle destroço, com um sentimento de vingança satisfeita!
Porém, sua mãe, que estava no quarto proximo, ouvindo este barulho, correu á sala para averiguar o que teria sido. Vendo a estatueta quebrada e seu filho encostado á bengala n’um aspecto arrogante, exclamou instinctivamente:
—Ah! grande maroto que ahi vem o papá.
Emilio respondeu sereno, impertubavel, com segurança:
—Ora!... eu tamem sou papá.
FIM