—Já ahi vieram os estudantes, mas como vocemecê estava de papo p’r’o ar, lá se foram derriçar co’as raparigas p’r’o rio. Não lhe tem respeito nenhum—censurou.

—Que respeito queres tu que me tenham?! Deixa-os lá, esta vida são dois dias. Gostam das moças? Tambem eu já gostei... e ainda gosto—concluiu arregalando olhos bregeiros.

—Um padre velho, sempre falla d’um modo...

—Historias! Velhos são os farrapos. Vae-me chamar esses estudantes. Se não aprendem latim, não serão nada. Latim é a base. Vae-os chamar, anda.

E acabou de emborcar o resto da infusa, com um beber sereno de satisfação. A creada reprehendeu-o:

—Todo elle é vinho. Quando não está, p’ra lá caminha.

—O que, bebedo? grandissima cachorra. É coisa que nunca me viste, mentirosa. Gosto da pinga e de ti; mas não me embebedo com estas coisas.

—De mim! Arreda, que me quero casar.

—Com esse garotaço que te namorisca? Has-de casar sem banhos, nem benção, eu t’o affianço. Vae-me alli chamar os estudantes, anda.