Minha avó, exclamou a pequena. Oh! leva-me comtigo. Eu sei que tu desapparecerás quando o phosphoro se apagar. Has-de passar como o fogão quente, como{48} o delicioso ganso assado, e como a grande e magestosa arvore do Natal!

E rapidamente accendeu todo o mólho de phosphoros, a fim de ter alli a avó bem segura.

E os phosphoros fulgurárão com tal brilho, que havia luz mais viva do que em pleno dia; a avó nunca fôra tão alta nem tão formosa: tomou nos braços a rapariguinha, e ambas voárão pelas regiões da luz e da alegria até muito alto, muito alto; não havia lá nem frio, nem fome, nem angustia: erão perto de Deos.

Mas encostada ao canto da parede, quando veio o frio amanhecer, estava a pobre rapariga com as faces vermelhas e um sorriso nos labios; matou-a o gêlo na ultima noite do anno velho.

E o sol do anno novo passou sobre o seu cadaversinho.

Immovel estava a rapariguinha: alli estava ella com os phosphoros, dos quaes havia queimado um maço.

Ninguem suspeitava quanto ella vira de bello, e em que brilhante região entrára com a avó no dia de anno novo.

FIM DA SEXTA PARTE