—«... filho!»
Depois, tirando um lenço, começou a limpar o rosto, e a chegar-se para onde eu estava.
Levantei-me eu então, fazendo-lhe aquela cortesia, que éla, com a sua, e consigo mesma, me obrigava.
—«O descostume grande, (me disse) ha muito tempo que vivo n'este ermo, de ver pessoa alguma, me faz, senhora, desejar saber quem sois, e que fazeis aqui, ou que viestes a fazer, formosa e só.»
Como eu um pouco tardava em lhe responder, pela duvida em que estava do que lhe diria, (parece que entendendo-me éla) me tornou:
—«A mim, podereis dizer tudo, que eu sou mulher como vós, e, segundo vossa presença, vos devo ainda ser muito semelhante; porque me parece (agora que vos ólho de mais perto) que deveis ser triste, que vossos olhos teem vossa formosura desfeita, e, ao longe, não se enxergava.»
—«Pareceis vós logo ao longe (respondi eu) o que sois ao perto; e não vos saberia negar cousa em que de mim vos servisseis; que os vossos trajos, e tudo o que vos eu ólho, é cheio de tristeza, cousa a que eu sou ha muito tempo conforme; e porque posso mal encobrir o senhorio que, eu mesma, ás longas mágoas sobre mim tenho dado, não me quero rogar, antes vos devia ainda agradecer quererdes saber de mim o que quereis, para ser ao menos meu mal escutado alguma hora!»
—«Pois dizei-m'o (me tornou éla) que ficardes-me devendo ouvir-vos eu, nova maneira é tambem de me obrigardes; mas assim me pareceis vós, que, de vos ser obrigada, folgo muito ainda.»
Satisfazendo-lhe eu então, disse: