Capitulo X

De como Narbindel, vindo a combater com o cavaleiro da ponte, vendo o pranto que se fazia na tenda de Lamentor, entrou dentro para o consolar

«Dito era já a Lamentor que o cavaleiro entrára: mas êle não no viu senão quando já o achou junto de si, dizendo-lhe palavras de consolação.

«Lamentor as recebeu d'êle o melhor que pôde, mais por lhe não dar causa de se deter muito, que por estar para isso. Mas, depois de estarem um pouco, vendo Lamentor que êle não fazia menção de se ir, forçadamente, lhe disse:

—«Senhor cavaleiro, a vossa visita vos tenho em mercê. Praza a Deus que, em outra mais alegre, vo-la pague! Nós vimos de jornada, como sabereis. As pousadas não são maiores do que vedes; não ha ahi outra casa senão esta, para a tristeza e para nós. Deveis-vos, senhor, ir para onde ieis; não tomareis ao menos parte em tanto luto, porque as mágoas alheias tambem doem a quem as vê. Perdoae-me, que não tenho agora outra cousa em que vos sirva a vossa boa vontade.»

«O cavaleiro, passando os olhos pela senhora Aonia:

—«Eu não tenho d'onde ir d'aqui», lhe disse.

«E, parece que lembrando-lhe que a havia de deixar, cairam-lhe umas ralas lagrimas pelo peito.

«Mas, como êle visse que ali não tinham mais do que aquela tenda, e outra pequena, bem lhe pareceu que não podia caber ali n'aquele tempo gente estranha, ainda que êle—no seu coração—já o não era. Erguendo-se então, seguiu sua fala, dizendo: