De feito, de um lado Leoncio, e de outro Henrique e Malvina, os estavão observando.
Henrique, tendo-se retirado do salão, despeitado e furioso contra seo cunhado, assomado e leviano como era, foi encontrar a irmã na sala de jantar, onde se achava preparando o café e ali em presença della não hesitou em desabafar sua cólera, soltando palavras imprudentes, que lançárão no espirito da moça o germen da desconfiança e da inquietação.
—Este teo marido, Malvina, não passa de um miseravel patife,—disse bufando de raiva.
—Que estás dizendo, Henrique?!... que te fez elle?...—perguntou a moça, espantada com aquelle rompante.
—Tenho pena de ti, minha irmã ... se soubesses ... que infamia!...
—Estás doudo, Henrique!... o que ha então?
—Permitta Deos que nunca o saibas!... que vilania!...
—O que houve então, Henrique?... falla, explica-te por quem és,—exclamou Malvina, palida e offegante no cumulo da afflicção.
—Oh! que tens?... não te afflijas assim, minha irmã,—respondeu Henrique, já arrependido das loucas palavras que havia soltado. Tarde comprehendeo que fazia um triste e deploravel papel, servindo de mensageiro da discordia e da desconfiança entre dois esposos, que até ali vivião na mais perfeita harmonia e tranquillidade. Tarde e em vão procurou attenuar o terrivel effeito de sua fatal indiscrição.
—Não te inquietes, Malvina, continuou elle procurando sorrir-se;—teo marido é um formidavel turrão, eis ahi tudo; não vás pensar, que nos queremos bater em duello...