Nesse comenos chega Henrique de suas excursões venatorias, e depois de procurar em vão a irmã por todos os cantos da casa, vae em fim encontral-a encerrada em seo quarto de dormir desfigurada, palida, e com os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
—Por onde andaste, Henrique?... estava afflicta por te ver,—exclamou a moça ao avistar o irmão.—Que má moda é essa de deixar a gente assim sósinha!...
—Sósinha?!... pois até aqui não vivias sem mim na companhia de teo belo marido?...
—Não me falles nesse homem ... eu andava illudida; agora vejo que andava peor do que sósinha, na companhia de um perverso.
—Ainda bem, que presenciaste com teos proprios olhos o que eu não tinha animo de dizer-te. Mas, vamos! que pretendes fazer?...
—O que pretendo?... vás ver neste mesmo instante... Onde está elle?... viste-o por ahi?...
—Se me não engano, vi-o no salão; havia lá um vulto sobre um sofá.
—Pois bem, Henrique; acompanha-me até lá.
—Por que razão não vás só? poupa-me o desgosto de encarar aquelle homem...
—Não, não; é preciso, que vás commigo; estava á tua espera mesmo para esse fim. Preciso de uma pessoa, que me ampare e me alente. Agora até tenho medo delle.