—Senhor Alvaro, disse-lhe respeitosamente o Martinho,—com a permissão de Vª. Sª., preciso dizer duas palavras a esta senhora, a quem Vª. Sª. dá o braço.

—A esta senhora!—exclamou maravilhado o cavalheiro.—Que tem o senhor que ver com esta senhora?

—Negocio de summa importancia; ella bem o sabe, melhor do que eu e o senhor.

Alvaro, que bem conhecia o Martinho, e sabia quanto era abjecto e desprezivel, julgando ser aquillo manobra de algum rival invejoso, e covarde, que se servia daquelle miseravel para ultrajal-o ou expôl-o ao ridiculo, teve um assomo de indignação, mas contendo-se por um momento:

—Tem a senhora algum negocio com este homem?—perguntou a Elvira.

—Eu!?... nenhum, por certo; nem mesmo o conheço,—balbuciou a moça, palida e a tremer.

—Mas, meo Deus! D. Elvira, por que treme assim? como está palida!... maldito importuno, que assim a faz soffrer!... oh! pelo céo, D. Elvira, não se assuste assim. Aqui estou eu a seu lado, e ai daquelle, que ousar ultrajar-nos!

—Ninguem quer ultrajal-os, senhor Alvaro;—replicou o Martinho; mas o negocio é mais serio do que o senhor pensa.

—Emfim, senhor Martinho, deixe-se de rodeios e diga-nos aqui mesmo o que quer com esta senhora.

—Posso dizel-o; mas seria melhor que Vª. Sª. o ignorasse.