—De modo que não haverá perigo...

—Absolutamente impossivel conhecel-o, disfarçado como está.

—Pois olha, já que entrei n'este caminho, quero fazer a coisa completa. Has de comprar-me um bilhete de sol.

Quando entrou na praça, ainda as cortesias não tinham começado. Arranjou um logar ao pé da musica, e poz-se a fumar um cigarro ainda por disfarce. Á hora marcada, com uma pontualidade fóra do costume, a função principiou. Estava interessado, contente e ancioso, como se pela primeira vez assistisse a um espectaculo ardentemente desejado. Surprehendia-se a gritar com toda a força, quando o sol inteiro gritava e ainda teve o chapéu na mão, para o atirar ao redondel, enthusiasmadissimo com um cambio.

No intervallo, como não sahisse o visinho da direita, pedindo-lhe fogo, entrou a dar-lhe conversa.

—Vê-se que o amigo é amador.

—Como poucos. Isto é um divertimento real.

—Lá isso real...{62}

—Pois sim... Mas o rei vem aqui muitas vezes?...

—Vinha muitas vezes, é o que você quer dizer...