—Em summa, o que é que os senhores desejam?
—Nós desejávamos ser nomeados... gatos da Alfandega.
—Gatos da Alfandega?!!...
—É verdade, sr. conselheiro, gatos da Alfandega. Isso daria uns 9$000 réis por mez, a cada um, o que seria uma ajudasinha para a renda da casa.
—Os senhores vieram aqui para se divertirem commigo?
—Ó sr. conselheiro, pelo amor de Deus! Nós viemos aqui implorar a valiosissima protecção de V. Ex.ª, juramol-o pela bôa saude das nossas mulheres e dos nossos filhos...{86}
—Gatos da Alfandega! Mas então os senhores perderam o juizo?
—Não, senhor conselheiro; o que nós perdemos foi a gratificação.
—Ou anda tudo doido, ou eu não sei onde tenho a cabeça. Mas o que vem a ser isso de gatos de Alfandega?
—Saberá V. Ex.ª que havendo milhões de ratos na Alfandega, sem respeito nenhum pelas mercadorias que alli se acham depositadas, e havendo todos os dias reclamações por causa dos prejuizos que estes causam, foi creada a corporação dos Gatos da Alfandega, para a sustentação da qual ha uma verba de proximamente trinta mil réis por mez.