—Apezar de todos os pezares, minha filha, tu ainda me podias dar um prazer enorme, uma satisfação infinita.

—Deixando-te ir em liberdade?

—Não; deixando-me... viuvo.{99}


No congresso medico do Porto, o dr. Eduardo d'Abreu apresentou um velho de 109 annos.

(Dos jornaes).

—Vou dar a palavra ao illustre congressista, nosso collega, que apresentará á assembléa o homem mais velho do mundo.

Quando o presidente acabou de pronunciar estas palavras, fez-se na sala, até então rumorosa, o silencio dos momentos augustos. Um congressista avançou para junto da mesa da presidencia, acompanhado d'um velhote rabitezo, de peitilhos bordados, endomingado como para a desobriga. Era o homem mais velho do mundo, como dissera o presidente. Nascido no seculo dezoito, atravessára todo o seculo dezenove, e alli estava muito fresco, bem disposto, nas felizes disposições de acompanhar o seculo vinte até por ahi adeante sem cansaço de maior.{100} Estavam alli cento e nove annos, bonita somma feita com parcelas de tres seculos, muito deseguaes em valor.

Tão bem conservado o velhinho!

Dir-se-ia que adormecera quando ia a entrar na velhice, ao cabo de uma florente mocidade, e a dormir deixára de fazer annos, o bom velhote. Por certo aquella alma nunca fôra batida das tormentas, não experimentara nunca as grandes alegrias nem as grandes contrariedades, porque umas e outras consomem como o fogo, abbreviam a existencia,—diluindo-a em risos ou afogando-a em lagrimas.

Tão bem conservado, o velhinho!