Pousou o jornal sobre a mesa, deixou cair os oculos para os olhos, e attentou nos collegas, á espera.

—E depois? O collega com certeza não pretende querellar d'esse jornalista, com certeza monarchico...

—Engana-se o collega redondamente. Pretendo querellar a passagem do jornal, que acabo de ler, porque a encontro incursa no artigo...

—Mas isso não tem pés nem cabeça, collega. Quereria então que amanhã se dissese que este augusto tribunal querellára d'um jornalista por ter elle escripto que o monarcha é honesto, é intelligente, dos mais honestos e intelligentes que o sol cobre?...

—É como acaba de dizer.

—Mas isso é uma loucura!...

—Um pouco mais pequena do que lhe parece. Estamos aqui para cumprir a lei, e a lei, n'este ponto, é clara.

—O que faria então o collega se o jornalista tem escripto que o monarcha é destituido de intelligencia e honestidade?

—O que faria? Querellava-o com fundamento no artigo...

—Mas é então o caso de ser preso por ter cão...