Seguia-se a traducção, o pomo da discordia: «O marido não deve pegar no somno antes da mulher e nem acordar depois della.»{74}
—Como isto é fundo! exclamou o capitalista, chamando a attenção da noiva para o conselho em portuguez.
—E o senhor, perguntou Monica, no seu tempo de casado seguio isso á risca?
—Como seguiria, se é agora que sei disto?! Ah! se eu em outro tempo adivinhára... e engasgou-se com o resto. Mas, proseguio, cá me fica no canhenho; conselhos como estes não se perdem.
Confessemos, o capitalista não andava corrente com o Codigo do Bom-Tom. Declarar á noiva que um aphorismo de tal jaez lhe ficava no canhenho, foi falta de tino imperdoavel.
Monica, que lia Alphonse Karr e tencionava dar um pulo até á França para comprimentar o autor das Guêpes, com o que o Sr. Alphonse Karr, por sem duvida, muito se lisongearia, não contendeu.
Na manhã do dia seguinte pespegou ao capitalista em carta este bofetão:
«Senhor.—Toda a noite considerei no conselho de hontem e não me convenci que seja o marido quem deva pegar no somno depois da mulher e acordar antes della, por{75} muitas e longas razões com as quaes eu encheria uma resma de papel, se quizesse argumentar. Tendo V. S. no seu canhenho, tomado nota do conselho, pol-o-ha em pratica depois de casado; achando-me em opposição a semelhante pratica, desisto do meu compromisso. V. S. está livre, disponha do seu coração. Prefiro a monogamia ás desavenças do lar.
«Sua criada
«MONICA.»