Esta caravella, assim que a Santo Antonio chegou ao alcance, rompeu fogo das peças e de mosqueteria, investindo para a abordagem.
Estava lá Magalhães que era tão ousado navegador como soldado. Mandando a manobra com precisão e incitando os seus homens ao combate, não tardou a abordagem e que estes saltassem no navio sublevado, ouvindo-se então, por entre o alarme da desordem e o estrondear dos tiros, vozes que perguntavam em alta grita:
—Por quem sois?
Da resposta a esta pergunta dependia a vida ou o exterminio dos sublevados, porque Magalhães e a sua gente não contemporisavam.
Quesada, por sua parte tambem incitava os seus homens á resistencia e ao combate, mas não inspirava á sua gente a mesma confiança que Magalhães, nem tinha o prestigio superior do chefe da esquadrilha.
Foi por isto que não teve meio de resistir á abordagem, e a resposta á pergunta que a gente da Trindade ia repetindo insistentemente:—Por quem sois? echoou na alma de Quesada como uma sentença de morte, ao ouvir gritar:{63}
—Pelo rei nosso senhor e por vossa mercê!
Fernão de Magalhães triumphava mais uma vez dos revoltosos e affirmava o seu prestigio entre a gente que o acompanhava, fazendo perder a esperança de novas sublevações.
Quesada e todos os cabeças de motim foram presos, e o mesmo succedeu a Cartagena, capitão da Conceição, que humilhado se entregou.
Restava castigar os sublevados e esse castigo devia ser exemplar para que não viessem novas tentativas de revolta pôr em perigo a segurança e bom exito da expedição.