Consoante os tempos e a grandeza dos delictos, assim seria a severidade da punição.

Magalhães não hesitou na sentença.

No dia 4 de abril, o seguinte áquella noite de desordem, mandou Magalhães que o cadaver de Luiz de Mendonça, fosse posto em terra e ali esquartejado ás vistas de todos e apregoada a alta traição, que assim fôra punida.

Seguidamente foi instaurado a bordo da Trindade um processo, em que Alvaro de Mesquita formulou a accusação, sendo os alguazis e escrivães, que iam na esquadrilha,{64} encarregados de fazerem o summario e inquerirem as testemunhas, o que tudo escripto deveria depois ser apresentado a El-rei, quando Magalhães regressasse a Castella, como prova justificativa do seu procedimento.[[5]]

D'esse processo resultou a sentença que condemnou á morte Gaspar de Quesada e Luiz Molino, creado d'este.

Passados tres dias, a 7 de abril, teve logar a execução.

Para esse fim foi armado na praia o patibulo e na presença de contingentes de todos os navios, decapitado o criminoso, servindo de carrasco o Luiz de Molino que por este preço adquiriu o perdão.

O corpo de Quesada tambem foi esquartejado e a sua traição apregoada.

Mas ainda não era tudo. João de Cartagena tambem devia ser punido assim como o capellão Pedro Sanches de La Reina, que tambem se averiguou ter conspirado contra o chefe da esquadrilha.

O castigo, porém, d'estes revoltosos, parecendo mais equitativo, nem por isso foi menos duro, pois que Magalhães os condemnou a ficarem abandonados em terra,{65} onde não havia viveres apropriados nem gente.