—E que rico panno!

—Pois vês-ahi...

Entrava n'esta conjunctura o abbade, esfadigado, suarento—que levasse o diabo a freguezia, que pouco tempo havia de aturar maçadas d'aquellas, para confessar uma bebeda de uma velha que tinha bebido de mais na feira da Povoa e cahira d'um valado abaixo. E elle?—perguntava—almoçou bem?

—Ora! não ha que perguntar, senhor! Aquillo, salvo seja, é como a cal d'uma azenha. É quanto lhe deitarem p'rá tripa. Coisa assim! Subiu agora p'ra lá o Nunes. Ai! já me esquecia, ó snr. abbade! Olhe que na villa já perguntaram se cá na casa estavam hospedes, porque vinham p'ra cá muitas comida. Que não vão elles pegar a desconfiar... Esta pergunta á moça traz agua no bico.

—E tu que respondeste, moça?

—Que vinham por cá jantar uns senhores padres, que agora era tempo de confesso...

—Andaste bem.

Quando o padre Marcos Rebello subia á sala, pedindo licença a meio da escada, já o rei e o visconde vinham sahindo da alcôva—um, aprumado na attitude da magestade, o outro, na do respeito, muito composto.

—Pede licença na sua casa, dom Prior?—disse el-rei.

O dom prior de Guimarães genuflectiu a perna direita; o soberano apressou-se a erguel-o.