—Ó mulher, traz d'ahi uma placa accêsa—disse o abbade Marcos, contrafazendo o seu terror.
E o homem, lá dentro atraz das pipas, tiritava como Heliogabalo na latrina, seu derradeiro refugio.
A Senhorinha entrou adiante com a placa, um luzeiro mortiço de cêbo com morrão que parecia condensar mais as trevas da lôbrega caverna.
—Arranja ahi um fachoqueiro de palha, ó 14! Que raio de placa você cá traz, mulher!
—É emquanto não péga bem a torcida—explicou a creada caminhando atraz do padre para o lado opposto ao esconderijo. Com effeito, a claridade difundia-se, mas tão de vagar que ninguem diria a velocidade que os naturalistas marcam a um raio de luz. Os soldados batiam com os nós dos dedos nos tampos das pipas que toavam o som abafado de cheias.
E o 14:—Ó meu sargento, o tanso do abbade casca lhe rijo no verdasco! Estão cheiinhas! E apontando para as duas pipas vasias do canto, o sargento perguntava se o vinho d'aquellas já lhe tinha cabido na sachristia—e dava piparotes na barriga do padre.
O abbade tinha uns sorrisos pallidos, compromettedores como uma denuncia. O 24 escutava e dizia que a modos que ouvira mexer coisa atraz das pipas!
—Ha-de ser ratos—conjecturou o abbade, tremulo, engasgado.
—Palpa com a bayoneta por traz das pipas, ó 241—disse o sargento.
Assim que o aço da bayoneta raspou na parede a Senhorinha começou a dar gritos, sentou-se a espernear, e perdeu os sentidos.