—Se tu quizeres, Verissimo, dentro de um mez temos um conto de réis.

—Boa!...—disse o outro.—Bem se vê que as duas garrafas deram o que podiam dar—uma fantazia de um conto de réis. Por dous tostões é barato.

—Estás disposto a ouvir-me sem interrupção de chalaça? Eu não estou bebedo, palavra de honra!

Libania pôz a face entre as mãos e os cotovellos na toalha suja de vinho e migalhas, com os olhos muito fitos e rutilantes na cara do Nunes. O Verissimo atirou com as pernas para cima da banca, accendeu um charuto de 10 réis e disse que fallasse á vontade.

—Tu sabes que te pareces muito com D. Miguel?

—Começas bem. Temos asneira.

—Máo! não me falles á mão.

—Já sei onde queres chegar. Vais dizer-me que me faça acclamar rei, e, para evitar effusão de sangue, venda a minha sobrinha D. Maria 2.ª os meus direitos á corôa por um conto de réis. Dou-os mais em conta.

—Adeus minha vida!—retrucou o Nunes impaciente. Ámanhã conversaremos.

—Deixa fallar o homem!—interveio a Libania.—Ora diga lá, ó sê Nunes.