O Feliciano deu um passeio para os lados da Pena, onde morava o compadre. Disse-lhe que ia vêr a quinta da Commenda que se vendia; que lh'a fosse mostrar. Conversaram; e, no regresso, pararam em frente de uma casa com tres janellas e um quintal espaçoso.

—É aqui, disse o Melro.

O brazileiro poz o monoculo e leu um bilhete pregado na porta com quatro tachas: Domingo, ás 10 da manhã, depois da missa, vai á praça a quem mais dér sobre a avaliação judicial de 500$000 réis esta casa, dizima a Deus, para partilhas. O Feliciano leu, retirou-se apressado para que o não vissem, murmurando quaesquer palavras a que o compadre Melro respondeu:

—Vossoria então está a lêr! Tão certo tivesse eu o céo como tenho a casa...

Feliciano seguiu para Prazins e o Melro disse aos freguezes da taverna que o seu compadre ia comprar a quinta da Commenda, e que estivera a lêr o escripto da casa do Cambado que se vendia, e dissera que talvez a comprasse para a dar a um afilhado ...

—Ao teu pequeno?!—perguntavam.

—Pois a quem ha-de ser! Aquillo é que é um homem ás direitas!

—Elle não sabe o que tem de seu. Tanto lhe monta dar-te a casa como a mim pagar-te um quarteirão d'aguardente—encareceu um pedreiro.—Anda agora a trabalhar no palacio da Retorta. Que riqueza! Parece um mosteiro. Pelos modos vai para lá viver logo que case com a Martha. Lá o mestre Zeferino rebenta que o leva os diabos! Isso diz que dá cada arranco...

—O Zeferino, a fallar a verdade, tem razão—disse o Melro.—O Simeão tinha-lh'a promettido. Gente sem palavra que a leve o diabo! Eu, se fosse commigo... Mas, emfim, é irmão do meu compadre ... não devo dizer nada. Que se governem.

O Melro, ás 8 da noite, quando os freguezes desalojaram, fechou a taverna; e, espreitando se os pequenos dormiam, disse á mulher:—A casa do Cambado é nossa, mas é preciso vindimar o Zeferino...