Veja-me esta sábia, ó snr. Raimundo!

Quer agora regalar-se com um pedacinho de apostrophe contra o mesmo vicio dos gregos?

«Cautela, eterno masculino! O proprio Deus se offende d'esses attentados contra a natureza! Esses impudicos mysterios que commetteis contra a mulher--obra da predilecção e ternura divinas--ultrajam Deus!»[[4]]

Mysterios impudicos que ella lá sabe, como se não fossem mysterios. Vista dupla do genio. Emfim, sempre é dama que lê Aristoteles, como a sua esposa, meu visinho, não é capaz de soletrar a Palavra, gazeta de lettras de 10 reis, as quaes não podem formar uma intelligencia de pataco.

Conta a referida litterata que certa donzella sua amiga, em vespera de cazar, leu o Homem-mulher. Entrou o noivo, e achou-a a tremer de pavor com o livro entre mãos. Pergunta-lhe que tem; ella mostra-lhe a brochura, e aponta-lhe com o dedo de ágatha aquelle truculento Tue-la! Mata-a!»

--Que lhe parece isto?--disse a pallida noiva.

--Soberbo!--responde o gentil namorado--Não{16} ha ahi palavra ociosa. O remate principalmente é optimo!

E a menina, sem mais delongas, desmaiou. E, assim que recobrou os sentidos, disse á mãe que não queria semelhante marido.

Rodeiam-na as suas amigas; forma-se synagoga de senhoras conspicuas, e concede-se á loira Alice a palavra para explicaçoens.

E a menina entre outras phrases, expediu estas do seio arquejante: