Isso não; mas o casamento faz arranjo... Ella tem cincoenta e quatro, mas olha que é um anno para cada conto; e tu tens os teus trinta e seis, mas cá, segundo os meus calculos, por morte de teu pae não tens nem trinta e seis moedas, porque elle é um gastador, e deixa-te viver lá mettido no quarto a lêr o Carlos Magno, sem te importares do negocio... Teu pae parece-me que não virá... vai-se demorando.

[O SENHOR FERNANDES]

Já lhe disse que o meu pae pede desculpa de não vir, porque se sente incommodado da gôta... Eu vim da sua parte dar ao senhor Antonio os parabens, e comprimentar a sua esposa a quem desejamos, tanto eu como elle, largos annos de felicidade.

[D. MARIA ELISA]

Muito agradecida! (á parte) Este falla melhor que os outros...

[O SENHOR ANTONIO]

Tu sabes fazer a preceito esses discursos! Sempre é bom a gente lêr o Carlos Magno... Eu era pequeno quando o li, e ainda me lembra esta passagem da formosa Floripes a Roldão: «Senhor par de França! Os vossos olhos são dous sóes que derramam raios que matam como os lampejos da vossa durindana. Senhor cavalheiro, eu vos digo que o vosso affecto é mais doce que o mel, e mais abrazador que as ardentes fragas

[O SENHOR FERNANDES]

(sorrindo)

Essas fragas deviam de ser boas para assar bacalhau.