[O SENHOR PEREIRA]
(formalisado)
Que diabo dizem ahi? Se eu os percebo, sêbo! Parece que já jantaram!—Pois minha mulher... sim, pergunto eu... minha mulher... se faz favor de me dizer... com que então a minha Marcellina... digam para ahi o que sabem, linguas damnadas!... Eu queria saber o que vem a ser estas benzedellas da nossa sanctinha, e lá esses arrufos teus, Antonio!...
[O SENHOR FERNANDES]
Não se irrite, senhor Pereira, que não tem razão. Vmc.e entendeu mal os reparos da senhora D. Angelica e seu irmão. É porque o senhor Antonio não quer que sua senhora se constipe no estudo da natureza...
[O SENHOR PEREIRA]
Isso agora é outra cousa... Cada qual tem o seu genio; mas vir cá dizer-me que vai muito de cá a lá, isso tem que se lhe diga. Tanto é a minha Marcellina como a tua companheira. Somos todos do negocio, e deixemo-nos de fidalguias, porque todos nos conhecemos. E quem fôr mais rico, coma duas vezes, mas não desdenhe dos outros. O que eu queria dizer-te a respeito da conducta das mulheres é que sou teu amigo, e que oxalá a tua mulher seja como tem sido a minha.
[O SENHOR ANTONIO]
(desesperado; com as belfas tremulas)
Isso é que eu não quero!... já te disse que não quero e que não ha de ser!...