—Não, senhor.

—Não?... Eu não sei o que me parece isto, a fallar-te a verdade!... Aqui anda dente de coelho!... Pois ninguem, ninguem?

—Talvez me lembre d'uma mulher que aqui veio trazer-me uma carta d'elle, e me disse onde elle morava... Deixe-me recordar, e depois lhe direi...

—Pois olha lá se te lembras... Eu sempre quero vêr os focinhos ao teu primo... Acho que a cousa assim não vai bem...

—Que é o que não vai bem?!

—Eu cá me entendo...

—Isso que quer dizer? Explique-se, senhor Silva... Nada de mais palavras... Não está ainda satisfeito com a explicação?...

—Podia estar mais, se queres que te diga cá o que tenho no meu interior...

—Pois não sei que lhe faça. Creia, se quizer, e, se não quizer não creia. Vai-me fazendo subir a mostarda ao nariz!... Eu não lhe dou direito a duvidar da minha palavra. Se cuida que lida com sua irmã, engana-se. Tenho uma face para o amor, e outra para o odio. Sei amar, e sei aborrecer... Entende-me, senhor?

—Mas a que vem todo esse farelorio? Que te disse eu para tanta arrenegação?