O senhor Antonio estava sériamente amuado. Atormentava-o a dúvida, e as suspeitas terriveis principiavam a obra maldita do arrependimento. Comparando a sua pacifica vida de solteiro com as consequencias da vida matrimonial, arrependia-se o brioso mercador de pannos, e considerava-se o bode expiatorio do seu orgulho insultante com o proximo do chinó, em circumstancias analogas.
Era isto que affligia o coração do marido de Maria Elisa, emquanto ella, amuada tambem, se fechára no seu quarto, imaginando a comica solução que o senhor Fernandes daria ao problematico parentesco da Ponte-da-Pedra. Assim se entretinham aquellas duas creaturas, quando foi dito ao senhor Antonio que estava alli um sugeito, que queria fallar-lhe, sendo possivel.
—Que diga quem é.
O criado voltou, dizendo que era um primo da senhora D. Maria Elisa.
—Devéras?!—disse o senhor Antonio, com sobresalto, expandindo as bochechas em ar de contentamento.
—Sim, senhor, diz que é primo da senhora.
—E quer fallar comigo?
—É o que elle disse.
—E não fallou ainda com a senhora?
—Nada; nem por ella perguntou.