—Conheço as que lá ha que mereçam esse nome... Lisboa e Porto.

—Esteve no Porto? É uma bonita cidade, não é?

—É muito interessante. A gente de dia faz horas para se deitar ao escurecer. Não ha nada melhor. Come-se e dorme-se com a mais perfeita tranquillidade de espirito. E na semana sancta vêem-se as mulheres, quando passam as procissões.

—Conheceu alguma no Porto?

—Apenas uma. Como fui recommendado a um negociante chamado Antonio José da Silva, tive occasião de vêr de passagem uma bonita rapariga, que fallava em estylo de Corneille.

—Pois conheceu essa senhora?!

—Perfeitamente. Que é feito d'ella? É feliz?

—Penso que não. A sua fortuna está perdida. É por causa d'ella que eu vim a França.

—Sim? é notavel a coincidencia!... Pois senhor, veja se eu posso servir-lhe de alguma cousa com o meu pouco valimento... Que desastre foi esse! O tal negociante passava por ser um homem rico...

—E era. O negociante morreu ha dez mezes. A viuva liquidou a sua fortuna, que valia bem duzentos mil cruzados. Entrou com ella em uma casa commercial franceza, que tinha representantes em Lisboa. Esta casa acaba de fallir, e o dinheiro de Maria Elisa está perdido, segundo creio.