Era a segunda vez que a predestinada mulher do senhor Silva se abalançava ao crime infando de tagarellar da janella, a horas mortas, para a janella fronteira.

José Bento era um moço de quinze annos, muito envergonhado, e tão inutil, na opinião publica, que sua familia resolveu fazel-o frade loio. Tinha dezeseis annos, e estudava latim, com grande pasmo do mestre, que durante quatro annos, não podéra conseguir ensinar-lhe os rudimentos da arte, sem que elle discipulo lhe désse quatro asneiras em troca de cada regra. No seu genero era um prodigio! Não obstante, para loio o que lhe faltava era a idade, que sciencia tinha elle de sobejo para repartir na communidade.

O que elle tinha, além da sciencia, era uma melancolia sympathica, contemplativa, e romanesca. José Bento, se fosse dos nossos amigos de botequim, passaria hoje por um espirito atormentado, um mancebo devorado por illusões, um sceptico de coração crivado de angustias, e conseguiria, não fallando, pertencer á seita dos Szafis da feira da ladra.

Não lhe faltava a testa espaçosa da tarifa. Um todo-nada de navalha nas raizes capilares da fronte seria bastante para nos dar uma testa artistica, em que os sectarios de Spurzen, veriam o genio, e o respeitavel publico a toleima.

Ora aqui está quem era o namoro da senhora Rosa Guilhermina, que vai fallar com a voz commovida, vibrante, e melodiosa.

—Senhor José...

—Aqui estou, senhora Rosinha... Não me vê?

—Vejo... agora vejo...

—Como passou?

—Bem; e vmc.e passou bem?