Maria Elisa trazia douda a cabeça de S*** C***, Rosa Guilhermina, um pouco triste, recebia com indifferença o cortejo teimoso de Alvaro de Sousa. Por causa de Maria Elisa houve pequenas miserias de salão, ciumes senis, com que os nossos velhos se inculcam rapazes. Felizmente, não lhes falta zêlo para não deixarem transpirar as fidalgas impudencias, que sabem occultar nos seus solares.

Agora receba uma novidade, que não deve já ferir a sua vaidade, nem mesmo alvoroçar o seu coração.

Rosa Guilhermina vai casar-se.

Quer saber com que neto de trinta avós?

É um neto sem avô conhecido.

Não sei se ha seis ou mais annos que Rosa Guilhermina viveu algum tempo em casa do negociante Silva, da rua das Flôres, com quem seu pae, o arcediago de Barroso, a quiz casar.

Rosa namorou-se ahi d'um tal José Bento, filho d'um retrozeiro. Este lôrpa (diz Maria Elisa que o era de grande marca, e eu creio que continúa a sêl-o) estudava latim em casa do Passos, cujo quintal partia com o do arcediago, na travessa do Laranjal ou Bomjardim. Por causa d'ella, e á sua vista, o rapaz foi castigado com uma palmatoria. No dia seguinte, o mestre que o castigou, appareceu morto, e José Bento desappareceu.

Foi para o Brazil, onde se demorou alguns annos, vendendo carnes sêccas. Por fim, morre o patrão, e deixa-o senhor d'uma riqueza que parece extraordinaria, pelo fausto com que se apresentou no Porto.

Ninguem se lembrava já do filho do retrozeiro, que tinha morrido. José Bento de Magalhães e Castro, como elle se assigna, occultou algum tempo o seu nascimento; mas, um dia, apresenta-se em casa de Anna do Carmo, pedindo licença para vêr Rosa Guilhermina.

A viuva apparece; mas não se recordava já das feições do seu primeiro namoro. José Bento declara-se, e offerece-se como marido de Rosa.