—Qual frade, nem meio frade!... Deixemo-nos de frades. Ponha-o a sapateiro, ou alfaiate, que é o mais proprio. Eu tenho sobrinhos, e não os mando aprender latim; e vcm.e, que tem aqui dous arrateis de retroz, e quatro varas de mastro, já quer ordenar um filho...
—Que lhe importa a vmc.e a minha vida?
—E o seu filho que lhe importa as pessoas de minha casa? Se eu fosse outro homem, mandava-lhe estender as orelhas por um caixeiro...
—Isso lá mais devagar, senhor Antonio! Quem castiga o meu rapaz sou eu... Se o seu caixeiro lhe puxasse as orelhas, não havia de ter frio nas d'elle. É o que lhe digo! Eu sou pacifico, e cortez com quem é cortez. Eu chamo o meu filho, e veremos como é essa pendencia, que vmc.e traz.
O senhor João, já com a mostarda no nariz, chamou José, que vinha descendo, e resmungando: imperativo do verbo laudo, as, are, laudabundum, ou laudatote. Presente do indicativo, Laudaturus.
Contentíssimo das suas reminiscencias, e livre da dôr de barriga, José Bento ficou surprezo na presença do rival, e enfiou de susto. A edição da cara paterna não era mais nitida que a do negociante.
—Vem cá, José. O senhor Antonio queixa-se de que tu fazes tregeitos para a menina do senhor arcediago, isto é verdade?
José, chofrado pelo improviso, gaguejou a resposta, que mais tarde sahiu energica, e eloquente.
—É verdade, ou não?—replicou o pae.
—Ágora é...